Para uma quinta feira, o dia de Amycus não estava ruim. Se realmente pensasse sobre isso, aquele dia poderia se encaixar perfeitamente na qualidade de bom, afinal nada estava saindo ao contrário do planejado. O moreno estava satisfeito até então, sem muitas alterações em seu humor e até mesmo suas pausas para um cigarro ocasional haviam sido prazerosas, sem monitores para censura-lo ou alunos tagarelando. O que mais poderia pedir?
Sentia-se calmo e sua mente não estava realmente ocupada com alguma coisa enquanto caminhava pelos corredores das masmorras. Talvez tivesse sido o fluxo de alunos ou apenas distração quando sentiu que esbarrava em alguém. Aquilo não era realmente grande coisa e por isso muita mente mandou seguir a diante, mas seus ouvidos captaram a voz de Meredith e antes que pudesse tentar ir embora, sua paz interior escapou pela janela. Amycus girou nos próprios pés se direcionando a loira e um sorriso de escárnio apareceu em seus lábios.
-Você poderia começar sendo mais delicada com os outros, garota. Não tem porque fazer um alarde por causa de um simples encontrão.
— Com licença? Foi você que quase me atirou no chão ao esbarrar em mim. — Respondeu em um tom ríspido e dramático, exagerando completamente aquela situação. Era verdade que o moreno havia esbarrado nela no corredor de uma forma certamente brusca, porém não a ponto de derrubá-la ou algo do tipo. — Se tem alguém que precisa ser mais delicado, é você, seu animal irracional. — Continuou, deixando parte da irritação que sentia involuntariamente transparecer em sua voz, brevemente divertindo-se em seu interior, imaginando se Amycus ao menos sabia os significados de seus insultos. — E eu achando que os Carrow davam uma educação melhor aos seus filhos. Aparentemente ser sangue-puro não é mais sinônimo de ter classe e educação. — Seus olhos azuis fixaram-se nos do sonserino, que ironicamente eram da mesma cor.
Aquele pequeno acontecimento não era um motivo plausível para se começar uma discussão nos parâmetros de indivíduos ordinários, porém O’Hara ia além deles. Seu costume de magnificar o pior das situações geralmente lhe rendiam muitos minutos discutindo com diversas pessoas, porém a loura mal percebia isso, já que quem lhe comandava nessas situações eram suas emoções.
(Source: oh-meredith)
Praguejou internamente pela interrupção feita pela mais nova dos Villeneuve. “Sempre metendo o nariz aonde não é chamada, não é mesmo Astrid?” Soou a voz na mente do ravino de forma que era o que ele queria falar para ela na primeira vez que tinha o chamado por detrás da porta. Agradeceu pela rápida compreensão e perspicácia da loira ao manter o silêncio quando se separam. Em outra situação tudo poderia ser interpretado de uma maneira bem pior e não real ao acontecido a poucos minutos. Soltou o ar pesadamente, enquanto afastava o corpo inclinada em direção a O’Hara para trás. — Estou começando a desconfiar que essa garota me seguiu. — Disse em um leve tom de brincadeira misto com impaciência clara em cada palavra dita.
Afinal, toda brincadeira tinha um fundo de verdade e isso era algo que poderia esperar da irmã. — Eu vou. — Respondeu de pronto, assentindo a sugestão da outra, mesmo que não estivesse nos mínimos planos de Aillan sair daquele jeito ou as coisas simplesmente terem tomado aquele rumo desastroso. — Não que eu queira. — Explicou melhor, não querendo deixar uma má impressão para a colega de casa disso já tinha bastado a interrupção. Deslizou uma das mãos para pegar a de Meredith e num gesto lisonjeiro depositou um terno beijo nas costas da mão desta. — À bientôt. — Soltou a mão levantando-se do banco e rumando para a saída. — Nos vemos. — Falou vagamente incerto se falariam em outra situação fora o colégio. Ele esperava que sim e com muito cuidado antes de sair, observou o lado de fora para então sair do recinto.
Ficou um tanto decepcionada por Aillan ter que deixar a biblioteca tão cedo, porém esforçou-se para não falar algo que não deveria. Geralmente Meredith era dramática quando tratava-se de seus sentimentos, mas ela sabia que não seria condizente magnificar a situação naquele instante, e por mais estranho que fosse, ela nem ao menos sentia vontade de fazê-lo. Teve uma vontade quase incontrolável de sorrir quando ele expressou sua obrigação de ir até a irmã, esclarecendo que não desejava realmente deixar o recinto, entretanto, manteve sua expressão neutra. — Eu entendo. — Assegurou-lhe naturalmente, em um tom de voz tão calmo que se algum conhecido seu de anos a ouvisse, não acreditaria que era ela proferindo tais palavras. Deixou que o louro pegasse sua mão para ali dar-lhe um último beijo de despedida, esboçando um breve sorriso quando as palavras seguintes dele saíram de sua boca. — À bientôt. — Respondeu em seu francês quase impecável, preferindo falar naquele idioma sem saber exatamente o porquê. Acompanhou Villeneuve com o olhar até ele deixar a sala, esperando alguns minutos para também levantar-se e abandonar o recinto.
(Source: oh-meredith)
Para parte da surpresa de Villeneuve a loira correspondeu o beijo de forma cálida ainda que lenta e sem pressa do que faziam. A mão da jovem subiu para a nuca do loiro, o que fez percorrer um pequeno arrepio pelo contado desta com a pele dele. Era um momento bom, e fez se sentir bem ao ter ido na festa, do que provavelmente ficar sozinho em casa resmungando com os elfos da mansão. Porém, nada que estava na proximidade do perfeito poderia durar, não? Não, nem ao menos conseguia se concentrar mais nos lábios envolventes de O’Hara quando ouviu o próprio nome sendo proferido por uma voz feminina ainda que um pouco abafada pela porta. Astrid. Pensou automaticamente a ligar a voz a pessoa que chamava pela segunda vez de forma um pouco mais nítida. Para o pesar dele, descolou os lábios de Meredith, ainda se mantendo em silêncio.
Elevou o dedo indicador para frente da boca fazendo um gesto de silêncio, quando ouviu pela terceira vez a voz chamá-lo de forma insistente. Logo em seguida ao nome veio algum resmungo normal da morena do outro lado da porta e novamente o silêncio reinava de certa forma dentro da biblioteca e fora desta agora. Revirou o olhar antes que pudesse começar a falar com a jovem a frente. — Desculpe. Parece que minha irmã notou a minha falta. — Falou em um tom mais baixo e desgostoso, afinal não era a primeira vez que Astrid fazia isso com o irmão mais velho. Parecia ter um radar para encontra-lo e estragar com qualquer chance que tivesse com garotas.
Estava tão envolta naquele instante que o mundo poderia acabar no mesmo tempo e Meredith não iria nem perceber, toda a sua atenção estava voltada ao contato de seus lábios com os de Aillan. Sentia que aquele momento deveria ser calmo e gentil, portanto não apressou-se em acelerar o presente. Aquele tipo de coisa geralmente não ocorria dessa forma na vida da loura: estava acostumada a fazer vários joguinhos antes de beijar alguém, e a maioria dos rapazes os jogava antes de tentar qualquer coisa. Apenas achou um tanto peculiar que alguém que mal conhecia lhe beijara, sem saber o porquê de tê-lo deixado o fazer também. A musica antes tocada por Villeneuve ecoava em sua mente naquele momento, como um doce lembrete do que aparentemente iniciara aquilo. Não demorou muito, contudo, para que o ravino interrompesse aquela dança, pedindo silêncio com um gesto da mão.
O’Hara ficou brevemente desnorteada por aquela ação, porém percebeu do que se tratava quando ouviu uma voz feminina chamar pelo rapaz do outro lado da porta de madeira que separava a biblioteca da sala ao lado. Assentiu assim que o colega de casa explicou o que estava acontecendo, recuando um pouco a cabeça para fitá-lo completamente nos olhos. — Péssimo timing. — Apontou, esboçando um sorriso quase imperceptível. — Você deveria ir. — Disse após alguns segundos de silêncio, imaginando que a irmã dele provavelmente ficaria preocupada se não o visse em breve, o que poderia gerar uma situação um tanto desconfortável se ela resolvesse pedir ajuda para alguém e acabassem o encontrando naquela sala com Meredith, que deveria estar socializando-se com os demais convidados.
(Source: oh-meredith)
Assim como todas as pessoas, Meredith tinha seus dias bons e ruins, porém frequentemente parecia que os dias ruins predominavam na vida da loura, uma vez que constantemente estava irritada e era raro a encontrar com um bom humor. Não que acordasse e logo decidisse que iria ficar irritada naquele dia, mas ela tinha como costume deixar pequenas coisas abalarem seu humor, como breves implicâncias vindas de outros alunos e eventualidades proporcionadas pela vida. Estando ciente disso, era fácil perceber que aquela quinta-feira se encaixava facilmente em um dos dias ruins de O’Hara, julgando por seu modo de falar e até mesmo pela expressão de irritação que estava estampada em sua face. Qualquer um que cruzasse o caminho da ravina naquele dia e falasse ou fizesse algo que não devia, certamente iria se arrepender: ela era conhecida por ser terrível com as pessoas por causa de coisas extremamente fúteis. Havia acabado de ter uma aula de Poções realmente entediante, porém estava um tanto aliviada por aquela ser a última lição do dia, já que logo poderia voltar à Torre da Ravenclaw e ficar lendo algum livro perto da lareira. Seus humor estava começando a melhorar quando - enquanto caminhava em um dos corredores íngremes das masmorras - um ombro masculino bateu com força em seu próprio. — Olhe por onde anda, seu troglodita! — Falou em um tom de voz completamente ríspido e hostil, virando-se para fitar o rapaz que havia esbarrado nela.
Novamente um sorriso vago ganhou espaço no rosto do loiro em comentário simples da garota. Sinta algo diferente no ambiente silencioso em grande parte que era apenas inundado pelas notas musicais e as vozes de ambos repentinamente. Se sentiu um pouco mais feliz mesmo que em uma pequena proporção por ver que alguém se interessa-se pelo o que ele tanto amava. E mesmo que fosse um tanto cedo para tomar uma opinião maior acerca da loira em questão, tinha que admitir apreciava cada vez mais a companhia desta e o modo como ela o tratava, diferentemente da maioria que o tratava com descaso como se ele fosse um estranho completo. Muitas das vezes por ainda dar sinais claros do sotaque da terra natal, e apenas pelo jeito que agia.
Os olhares se cruzavam constantemente e a cada tecla tocado parecia que a música os envolvia mais forte, e mesmo que tivesse cessado por um curto e mínimo tempo sentiu-se magnetizado em aproximar-se mais da loira que parecia ainda um ponto enigmático para o rapaz. — Eu tenho certeza que sim. — Confirmou mais uma vez, olhando fixamente as íris claras da jovem. A resposta um tanto vaga bastou para que o francês tivesse a medida do pequeno impulso das ações. E mesmo que fosse parecer completamente inconsequente em visão dela, Aillan já não respondia os mais as sinapses perfeitas deixando o controle levemente solto. Não respondeu nada apenas chegou o mais próximo que já estava, delicadamente selando os lábios sobre os de O’Hara, levando a mão esquerda ao encontro do rosto delicado em uma leve carícia. Era um beijo a princípio calmo sem qualquer pressa lento e dançante a sim com as melodias que ele costumava tocar ao piano.
Não atreveu-se a proferir mais nenhuma palavra, querendo manter o silêncio que predominava naquele ambiente - ignorando os ruídos que vinham da sala ao lado onde havia vários adultos conversando e rindo de forma exagerada -. Os olhos claros de Meredith estavam fixos em Aillan, e ela não tinha nem mesmo uma remota intenção de desviar aquele olhar, pelo menos não tão cedo. Nunca havia revelado a ninguém - exceto a Charlotte - sua vontade de aprender a tocar piano, e não sabia ao certo o porquê de ter revelado aquilo a um rapaz que pouco conhecia nem conseguia elaborar uma justificativa eloquente para a forma natural que usara para contar aquilo, apenas se sentia um pouco mais descontraída naquele recinto junto ao mais alto - por mais clichê que isso fosse -, o que não era muito comum para ela.
O acontecimento que sucedeu-se à quase interminável troca de olhares entre os dois foi, de certa forma, previsível. O’Hara sentiu que a proximidade entre ela e o outro estudante da Ravenclaw apenas aumentava, e aproximou-se um pouco com intuito de contribuir para que a distância entre eles fosse encurtada novamente. Foi Villeneuve, porém, que fez o primeiro movimento: antes que a sangue-puro cogitasse colar seus lábios nos do francês, ele o fez de forma delicada, repousando uma das mãos no rosto da inglesa. A sextanista manteve o ritmo calmo e envolvente daquela dança feita por suas bocas, levando a própria mão esquerda até o pescoço do rapaz para acariciar o local.
(Source: oh-meredith)